No início de Setembro chegou às livrarias da Inglaterra e dos Estados Unidos o livro África de Richard Dowden. Para quem vem acompanhando as aventuras que parecem quase sempre incompreensíveis das diversas democracias, guerras e extermínios no continente africano, este livro é esperado com grande ansiedade. Isto porque Richard Dowden passou 30 anos viajando e morando no continente. Começou como professor em Uganda, na época de Idi Amim até tornar-se diretor da Royal Africa Society em 2003.
O livro África pretende responder àquelas questões que não querem calar, entre outras: Por que o desenvolvimento dos países africanos parece tão vagaroso? Será o sistema democrático como o imaginamos nos países ocidentais o melhor sistema para as diversas sociedades africanas?
Este livro, que ainda não sei se terá tradução para o português vem com um prefácio de Chinua Achebe, o grande escritor nigeriano, que recebeu o prêmio Man Booker da Grã-Bretanha em 2007 e cujas traduções de seus livros para o português deve-se a Portugal, por vergonhosa falta de interesse tanto de editoras como de leitores no Brasil. Em Portugal encontramos: A Flecha de Deus e Tudo se desmorona. Em sua apresentação Chinua Achebe, que além de escritor e poeta foi diplomata do seu país, esclarece que: não haveria melhor pessoa para interpretar a complexidade das sociedades africanas do que Richard Dowden.
Vamos esperar e ver se seu livro chegará a ser traduzido no Brasil. Com freqüência nós brasileiros reclamamos que em outros países, muitas vezes melhor educados e em melhor situação econômica que a nossa, que as pessoas nestes locais não se interessam pelas coisas brasileiras, que não sabem que Buenos Aires não é a nossa capital ou que Evo Morales não é o nosso presidente [O jornal The Boston Globe, no início deste mês cometeu este erro]. Mas a verdade é que sofremos do mesmo complexo de superioridade sobre o continente africano. Pergunte-se: você sabe o que está acontecendo naquele continente que representa o espaço de muitos dos nossos ancestrais? Provavelmente a sua resposta será não. Temos que deixar de sofrer desta mania de “pobrezinhos” em relação aos grandes e ignorar aqueles que ainda não chegaram ao nosso nível de desenvolvimento. Uma das maneiras de se fazer isso é aprendendo sobre a África e tenho certeza de que ler o livro de Richard Dowden será um excelente começo!







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